{"id":14,"date":"2025-10-14T11:27:10","date_gmt":"2025-10-14T11:27:10","guid":{"rendered":"https:\/\/factchecklab.ulusofona.pt\/?p=14"},"modified":"2025-10-22T13:56:40","modified_gmt":"2025-10-22T13:56:40","slug":"verificar-os-verificadores-por-que-importa-estudar-o-fact-checking-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/factchecklab.ulusofona.pt\/?p=14","title":{"rendered":"Verificar os verificadores: por que importa estudar o fact-checking hoje?"},"content":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a confian\u00e7a p\u00fablica nos media e nas institui\u00e7\u00f5es informativas sofreu um abalo profundo. A ascens\u00e3o das plataformas digitais n\u00e3o apenas facilitou o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m abriu caminho a uma nova desordem informacional (feita de rumores, teorias da conspira\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00f5es calculadas e meias-verdades). Neste cen\u00e1rio, o fact-checking surgiu como uma tentativa de resposta. Uma tentativa de reocupar o terreno da verdade factual num espa\u00e7o cada vez mais marcado pela disputa e pela satura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o que sabemos realmente sobre a efic\u00e1cia do fact-checking? Ser\u00e1 que corrige de facto perce\u00e7\u00f5es erradas? Quem o consome? Quem o rejeita? E com que crit\u00e9rios julgamos a sua autoridade? Apesar da sua crescente presen\u00e7a no debate p\u00fablico e no jornalismo contempor\u00e2neo, o fact-checking permanece uma pr\u00e1tica pouco compreendida e, muitas vezes, idealizada.<\/p>\n<p>O projeto aPEaSE \u2013 Verificar os Verificadores de Factos: pr\u00e1ticas e efic\u00e1cia no sul da Europa \u00e9 financiado pela FCT e parte precisamente desta inquieta\u00e7\u00e3o. O nosso ponto de partida \u00e9 simples: se o fact-checking se tornou um dos instrumentos centrais de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 fundamental compreender em que condi\u00e7\u00f5es essa promessa se cumpre e quando, pelo contr\u00e1rio, falha ou produz efeitos inesperados.<\/p>\n<p>Ao longo de dezoito meses, estudaremos as principais iniciativas de fact-checking em Portugal, Espanha e It\u00e1lia, com particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como estas pr\u00e1ticas s\u00e3o constru\u00eddas, distribu\u00eddas e recebidas pelos p\u00fablicos. O projeto combina observa\u00e7\u00e3o direta, entrevistas e inqu\u00e9ritos populacionais. Procuramos articular estas dimens\u00f5es com a an\u00e1lise computacional das redes de circula\u00e7\u00e3o digital. O nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas avaliar o desempenho de cada projeto, mas compreender os fatores que moldam o impacto do fact-checking.<\/p>\n<p>Porque se existe hoje um consenso sobre a amea\u00e7a que a desinforma\u00e7\u00e3o representa, permanece em aberto o debate sobre as melhores formas de enfrent\u00e1-la. Estudar o fact-checking \u00e9, nesse sentido, muito mais do que avaliar um formato jornal\u00edstico. Este projeto existe para lan\u00e7ar perguntas, produzir dados, mas tamb\u00e9m para abrir espa\u00e7o ao escrut\u00ednio. Porque a verdade, mais do que nunca, precisa ser constru\u00edda em comum e a sua defesa exige n\u00e3o s\u00f3 convic\u00e7\u00e3o, mas m\u00e9todo e cr\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a confian\u00e7a p\u00fablica nos media e nas institui\u00e7\u00f5es informativas sofreu um abalo profundo. A ascens\u00e3o das plataformas digitais n\u00e3o apenas facilitou o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m abriu caminho a uma nova desordem informacional (feita de rumores, teorias da conspira\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00f5es calculadas e meias-verdades). Neste cen\u00e1rio, o fact-checking surgiu como uma tentativa de resposta. Uma tentativa de reocupar o terreno da verdade factual num espa\u00e7o cada vez mais marcado pela disputa e pela satura\u00e7\u00e3o. Mas o que sabemos realmente sobre a efic\u00e1cia do fact-checking? Ser\u00e1 que corrige de facto perce\u00e7\u00f5es erradas? Quem o consome? Quem o rejeita? E com que crit\u00e9rios julgamos a sua autoridade? Apesar da sua crescente presen\u00e7a no debate p\u00fablico e no jornalismo contempor\u00e2neo, o fact-checking permanece uma pr\u00e1tica pouco compreendida e, muitas vezes, idealizada. O projeto aPEaSE \u2013 Verificar os Verificadores de Factos: pr\u00e1ticas e efic\u00e1cia no sul da Europa \u00e9 financiado pela FCT e parte precisamente desta inquieta\u00e7\u00e3o. O nosso ponto de partida \u00e9 simples: se o fact-checking se tornou um dos instrumentos centrais de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 fundamental compreender em que condi\u00e7\u00f5es essa promessa se cumpre e quando, pelo contr\u00e1rio, falha ou produz efeitos inesperados. Ao longo de dezoito meses, estudaremos as principais iniciativas de fact-checking em Portugal, Espanha e It\u00e1lia, com particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como estas pr\u00e1ticas s\u00e3o constru\u00eddas, distribu\u00eddas e recebidas pelos p\u00fablicos. O projeto combina observa\u00e7\u00e3o direta, entrevistas e inqu\u00e9ritos populacionais. Procuramos articular estas dimens\u00f5es com a an\u00e1lise computacional das redes de circula\u00e7\u00e3o digital. O nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas avaliar o desempenho de cada projeto, mas compreender os fatores que moldam o impacto do fact-checking. Porque se existe hoje um consenso sobre a amea\u00e7a que a desinforma\u00e7\u00e3o representa, permanece em aberto o debate sobre as melhores formas de enfrent\u00e1-la. Estudar o fact-checking \u00e9, nesse sentido, muito mais do que avaliar um formato jornal\u00edstico. Este projeto existe para lan\u00e7ar perguntas, produzir dados, mas tamb\u00e9m para abrir espa\u00e7o ao escrut\u00ednio. 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